Análise e Reflexão Final



Analisando o meu percurso nesta Unidade Curricular constato que, embora tenha feito o acompanhamento de todos os fóruns, acabei por não fazer tantas participações quanto desejava: umas vezes faltou-me o tempo para as preparar; outras a inspiração! Entre colocar informação redundante, ou que não introduz uma componente de novidade, e não participar no fórum, opto, por princípio, pela segunda. Se não tenho nada de novo a acrescentar, porque é que hei-de colocar um post com 20 linhas a afirmar exactamente o mesmo que o meu colega afirmou no anterior?! Sendo que, ao fazê-lo, estou a forçar os restantes colegas a despender do seu precioso e reduzido tempo para lerem informação repetida, e como tal, pouco pertinente ou interessante.

Contrariamente ao que aconteceu com os fóruns, nos trabalhos de grupo tive que vencer a falta de tempo e inspiração! Procurei estar sempre disponível para realizar os trabalhos e concretizar as tarefas que me estavam destinadas.

Como em tudo na vida, existem coisas de que se gostam mais e coisas de que se gostam menos.

O que mais gostei nesta Unidade Curricular:

Actividade 1 - Nativos e Imigrantes Digitais: Gostei da temática; pareceu-me bastante pertinente e actual. De todas as actividade, foi aquela pela qual senti uma maior empatia.

Actividade 2 - Identidade Social na adolescência: Considero que toda a discussão gerada em torno da temática foi bastante profícua.

O que menos gostei nesta Unidade Curricular:

Actividade 4 - Análise da Identidade em Sites Sociais: Reconheço toda a pertinência desta actividade e sinto que a mesma não poderia ser realizada de outra forma. Os sites sociais nunca me despertaram interesse, motivo pelo qual não possuia um espaço virtual com assinatura própria.Assim, para poder aceder ao universo de estudo, e para melhor o compreender, tive de criar um. Considerei o processo de criação bastante interessante; contudo, senti-me desconfortável na fase de escolha do objecto de estudo e na análise do seu perfil - embora a escolha tenha sido aleatória e desconhecesse o jovem em questão, senti-me a "invadir" a privacidade de alguém que, por acaso, tem um perfil público numa rede pública. Irónico!!

Opinião sobre a disciplina e balanço final:

Esta disciplina assume a sua pertinência à medida que nos vamos apercebendo da forma como os media estão inseridos na nossa vida, a facilitam e modificam.
O meu percurso em MDS está longe do que idealizei aquando do início deste curso de mestrado. A minha disponibilidade e participação, infelizmente, alterou-se por completo da primeira para a segunda metade do semestre. Fui obrigado reorganizar os meus planos e a tomar algumas decisões que influenciaram o meu desempenho nesta disciplina.

Lamento não ter optado pelo regime de frequência parcial, tal como lamento não ter sido possível autorizar o meu pedido para alteração do regime de frequência: sinto que poderia ter vivenciado os MDS de uma forma mais intensa e proveitosa. Contudo, ficam os conhecimentos adquiridos, os trabalhos realizados, a informação dos fóruns e os contributos que consegui prestar.

Resta-me agradecer às professoras Maria João Silva e Lúcia Amante, pelas situações de aprendizagem que proporcionaram; e aos meus colegas de turma, por todo o saber construído!

Obrigado

Actividade 4 - Análise da Identidade em Sites Sociais



Objectivo:
Identificar as marcas identitárias da adolescência em sites sociais de jovens.

Competências:
Construção de uma grelha de análise de marcas identitárias em sites sociais de jovens. Análise de um site social de jovens, tendo por base a grelha construída.

O que fazer?

1º) Constituição livre de grupos (4 elementos);

2º) Construção da grelha de análise de sites sociais de jovens e escolha do site a analisar (Hi5, Facebook, MySpace, entre outros);

3º) Testagem, por cada grupo, da grelha definida, no site proposto para análise, e elaboração de um pequeno texto de conclusões (1/2 páginas) no Fórum 4, até ao dia 31 de Maio;

4º) Discussão conjunta no Fórum 4 das análises realizadas, entre os dias 01 e 12 de Junho.


Nesta actividade integrei o grupo Pop, composto pelos colegas João Carrega, João Monteiro e Mónica Cardoso. A realização desta actividade serviu, no meu caso, como aplicação prática da temática que abordei na actividade 3.

Observámos quatro perfis de utlizador do Hi5 e procedemos à sua análise de acordo com as grelhas que elaborámos para o efeito.

Da análise realizada a estes perfis, pudemos constatar a existência de uniformidade no modo como cada um dos jovens apresenta as suas páginas: todos disponibilizam o seu perfil de forma livre, todos apresentam fotografias e a maioria dos amigos insere-se na mesma faixa etária e é de ambos os sexos.

Estas conclusões vão ao encontro das conclusões mencionadas pelos restantes grupos, e estão em concordância com os aspectos referidos no resumo elaborado para a actividade 3.
Grelha Hi5 POP

Destaco, pela síntese e transversalidade dos resultados apresentados, a primeira intervenção do colega Rui Fernandes, e, pela articulação da temática trabalhada com os restantes conteúdos abordados na disciplina, apresentando-se como uma novidade, a intervenção da colega Paula Simões.


#1
Discussão Conjunta

por Rui Fernandes - Quarta, 3 Junho 2009, 07:28

Viva

Os sites sociais são apenas mais uma das ferramentas virtuais à disposição dos jovens para a sua socialização, para a formação da sua identidade, da procura do "eu", muito embora resulte dos trabalhos efectuados que não se encontram esses "eus" de forma significativa ou, se assim o quisermos identificar, mais facilmente encontramos o que poderíamos designar de "eu" colectivo. Percebe-se, da parte dos jovens, “uma compreensão do mundo, uma identidade partilhada, uma busca de inclusão, um consenso com vista a um interesse colectivo” (Livingstone, 2005).

As marcas identitárias foram encontradas por todos os grupos e não representam mais do que o que tinha sido estudado com base nos textos fornecidos na actividade anterior.
Encontramos, claramente, uma diferença entre rapazes e raparigas no que respeita ao aspecto gráfico, na apresentação estética. As características identificadas em sites de rapazes são idênticas, maior agressividade em termos de texto e composição gráfica do site, menos identificação pessoal, menos revelações de si próprios, procurando garantir uma maior privacidade. As raparigas com um discurso mais terno e fraterno, com mais preocupações estéticas onde os emoticons se apresentam em grandes quantidades e onde os brilhos, as cores e as sensações parecem estar sempre presentes. Revelam-se mais e parecem não se preocupar com a privacidade identificando muitas delas a escola que frequentam, com todos os riscos que isso pode acarretar, bem como as inúmeras fotografias que se podem encontrar. Denotam aqui algum menor contacto com alguém que lhes tenha permitido uma integração no site dando a conhecer os perigos que daí poderiam advir. Como defendem Goldman e Mcdermott (2008), é importante a criação e a sustentação de um ambiente intergeracional que permita aos jovens a aquisição da capacidade de liderar.

As preocupações estéticas, tal como o número de amigos, fives, comentários, são manifestações de afirmação pessoal, parecendo que esta é uma real necessidade. Gostam de sentir-se elogiados e a demonstração de conhecimentos tecnológicos para proporcionar um site agradável ao olho de quem observa, atractivo, é importante na rede social e marcante de uma posição na hierarquia do sucesso.

No entanto, as características comuns a ambos os géneros continuam a ocupar um espaço importante de análise. Em ambos os casos, é evidente a necessidade de uma certa afirmação pessoal revelada pela "competição" entre todos pelo ceptro do número de amigos. Verdadeiramente, o número de amigos nem sempre corresponde aquilo que são os comentários, as participações e as interacções registadas. Verifica-se também que a maioria dos amigos está na mesma faixa etária e que a partilha de emoções se traduz em textos escritos com linguagem própria, nem sempre facilitada e com limitações linguísticas que podem ser importantes revelando, certamente, dificuldades em termos de escrita no futuro. Os jovens partilham experiências, encaram os sites como prolongamentos da sua vida, mas não fazem uma única referência à utilização do site com fins pedagógicos ou de aprendizagem.

Muitos jovens analisam-se, fazem autocrítica, mostram os seus defeitos e este é um aspecto importante destes sites: a reflexão pessoal. Já Stern (2008), nos seus estudos de análise, referiu que a recompensa mais referida pelos jovens era a da possibilidade que a construção de sites lhes dava de fazerem uma que, de outra forma, dificilmente fariam. Trata-se de um aspecto muito importante, já que confere ao jovem a possibilidade de colocar-se no seu lugar e pensar em função de si próprio e não daquilo que acha que os outros devem "ver".

Um aspecto preocupante detectado em vários sites é a diminuta leitura e referência a livros feita pelos jovens. Denota um afastamento que não é positivo em termos sociais e culturais. Outra preocupação é a do não acompanhamento destes espaços pelos educadores, em grande parte dos sites analisados, já que não é de crer que, sendo acompanhados, fosse permitido determinado tipo de linguagem ou comentário desagradável em relação a outrém, como encontramos algumas vezes.

Por outro lado, há um ponto comum que é a música, fundamentalmente, anglo-saxónica, que os jovens ouvem e fazem-no em grandes proporções. Ouvem muita música e referem muitos grupos ou cantores conhecidos de todos e outros menos conhecidos do chamado grande público.

Até...

RF

#2
Re: Discussão Conjunta
por Paula Simões - Sexta, 12 Junho 2009, 23:20


Boa noite,

Muito já foi dito relacionado com a forma como os jovens utilizam a rede social em seu proveito.

Considerando que esta temática reflecte os conteúdos que fomos analisando até agora desde o início desta unidade curricular e a título de abordagem transversal breve das várias actividades, posso referir que:

- A análise dos sites sociais por nós feita e os resultados obtidos são uma prova das competências dos nativos digitais.

- A dificuldade em acompanhar, muitas das vezes os jovens neste percurso de utilização desses sites prende-se com a ligação tardia aos media, daí serem imigrantes digitais

- Está mais que definido o papel da Internet na construção da identidade durante a fase da adolescência, nomeadamente pela vivência de sentimentos de competência que permite.

- A Internet é um espaço por excelência da exploração da identidade e um meio de socialização

- Dada a elevada quantidade de adolescentes que aderem às redes sociais, torna-se urgente a necessidade de segurança na Internet e o acompanhamento pelos pais/educadores em termos de atitudes e formação/informação

- Os jovens assumem uma cultura escrita específica nos seus sites

“As tecnologias não são realmente um fim em si mesmas, mas antes um meio para atingir um fim”.

Todo o trabalho desenvolvido pelos vários grupos nesta actividade foi de encontro a essa certeza.

Os nativos digitais utilizam a tecnologia ao seu alcance como um meio, até inconsciente, de construção da sua identidade, nomeadamente nos sites que produzem e a partir dos quais interagem socialmente. Esses sites impregnam-se de marcas identitárias específicas dessa situação.

*Paula

Actividade 3 - Media Digitais e Construção da Identidade Social




Objectivo
Reconhecer a influência dos media digitais na construção da identidade social dos jovens.

Competências
Analisar e discutir o papel dos media digitais na construção da identidade social dos jovens.

O que fazer?
1º) Constituição livre dos grupos de trabalho;
2º) Escolha, por cada grupo, do texto a trabalhar;
3º) Leitura e elaboração de uma síntese do texto.

Nesta actividade integrei o grupo 3, em conjunto com os colegas Ana Cristina Marques, Josete Zimmer Jô e João Paulo Monteiro. O texto escolhido foi o artigo escrito pela investigadora Danah Boyd.

Boyd, D. (2008). Why Youth ♥ Social Network Sites: The Role of Networked Publics in Teenage Social Life. In Youth, Identity, and Digital Media: 119-142.

As razões que me levaram a optar por esta temática foram, acima de tudo, a curiosidade natural e a pertinência da mesma.

Do resumo que elaborámos, destaco as seguintes elações:

Aqueles que acessam suas contas na escola usam-na primariamente como uma ferramenta de comunicação assíncrona, enquanto que aqueles com acesso contínuo à noite em casa passam mais tempo a surfar na internet, modificando o seu perfil, coleccionando amigos e falando com estranhos.

Ao contrário dos utilizadores mais velhos, os adolescentes adoram visualizar o seu mundo social através de uma colecção de perfis em rede. Enquanto muitos adultos tiram partido da sociabilização com estranhos, os adolescentes sentem-se mais focados em se sociabilizar com as novas celebridades que conheceram pessoalmente e que adoram.

Os adolescentes juntam-se ao MySpace:
- para manter conexão com os seus amigos;
- por diversão;
- por voyerismo social (passam o tempo a observar outros perfis, o que lhes permite alargar a sua visão geral da própria sociedade).

O desejo de ser “fixe” no MySpace é parte do desejo ainda maior de ser validado pelos pares [e] existem determinadas hierarquias sociais que regulam o grau de “ser fixe” tanto offline, como online. (...) é fixe ter Amigos, mas tiveres demasiados Amigos, és (...) a prostituta do MySpace. Como os Amigos são exibidos no perfil individual, é igualmente facultada informação significativa sobre essas pessoas. Por outras palavras, “tu és quem conheces” Irving, 1996).
Aos escolherem os seus amigos, os adolescentes afirmam-se perante a sociedade. No Myspace, os indicadores da popularidade e personalidade são condicionados de forma clara pelos amigos e pares sociais. Os adolescentes, ao contrário dos adultos, encaram o Myspace como um espaço de adolescentes para adolescentes que deveria estar vedado a adultos e (...) o acesso dos adolescentes a uma rede pública serve como uma tentativa de resolução dos seus problemas sociais num espaço mediatizado, sem estruturas delimitativas das audiências. A internet (...) descentralizou os públicos, permite que os adolescentes participem e naveguem em zonas que lhes estão vedadas enquanto permanecem fisicamente em zonas regulamentadas pelos adultos (escolas, casa).
O que os adolescentes fazem nestas redes sociais é aquilo que poderiam fazer em qualquer outro tipo de espaço público: estar com os amigos, trabalhar a sua apresentação e correr riscos que os ajudarão a determinar as fronteiras do mundo social. Fazem-no porque pretendem aceder e pertencer ao mundo da sociedade adulta.
O papel dos adultos não deve ser o de restringir o acesso aos meios públicos, de fiscalizar ou sobre-proteger, mas sim o de apoiar na recuperação de um erro ou no incentivo que permite a evolução.

É (...) imperativo que os adultos descubram como educar os adolescentes para navegarem nas novas estruturas sociais que enfrentam. Em vez de limitar, devemos procurar conhecer e aprender a utilizar este novo tipo de sociedade pública online para os conseguirmos ajudar na sua difícil tarefa de construção de identidade e sociabilização.

Trabalho Final Grupo3

Das comunicações realizadas nos fóruns dos outros grupos, destaco duas. A primeira foi realizada pela colega Ana Marques, e contextualiza uma prática inovadora com recurso a um objecto, ainda, tabu: a utilização do telemóvel como recurso educativo. A segunda foi efectuada pelo colega Pedro Coelho do Amaral, e enuncia os vários pontos comuns aos diferentes textos trabalhados.

#1
Re: Síntese Grupo 4
por Ana Marques - Quarta, 13 Maio 2009, 17:58

Ora aí é que talvez nós nos enganemos! Espreitem lá esta notícia neste site:

http://jpn.icicom.up.pt/2009/02/06/projecto_da_feup_quer_levar_o_telemovel_para_as_salas_de_aulas.html

Deixo aqui um pouco do artigo para aguçar a curiosidade.

"E se, de repente, os telemóveis passassem de "elementos perturbadores na sala de aula" a ferramentas pedagógicas ao serviço dos professores? É essa a ideia por detrás do Quizionário, o projecto de um grupo de estudantes de mestrado em multimédia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) que promete "revolucionar" a forma como os conteúdos são transmitidos nas escolas portuguesas. "

[] Ana

#2
Sintese Global
por Pedro Coelho do Amaral - Quinta, 7 Maio 2009, 14:29

Boa Tarde,

(...)

Nos diferentes trabalhos ressaltam um conjunto de considerações que importa referir:

1)» Os novos meios influenciam e modelam a identidade dos jovens. Num período de transição da infância para a idade adulta, é aqui que se jogam os novos processos identitários e de socialização. Como refere o grupo I “ Para muitos jovens do mundo industrializado, os media digitais são modalidades significativas através das quais os jovens, consciente ou inconscientemente, procuram respostas sobre o ‘eu que sou eu”

2) As novas tecnologias, pelas características acima referidas, exponenciam um novo tipo de construção identitária, dinâmica, móvel, em constante evolução.

3) Os novos espaços de socialização funcionam como espaço de pertença ou identificação inter pares, de validação social, de auto realização, de divertimento, de amizade e voyerismo social. Como refere o grupo 2 “ Esta é uma forma de construírem a sua própria identidade, onde existe uma coexistência entre a identidade pública e a privada, num jogo de representação onde as avaliações internas e externas contribuem para uma construção do "eu.”

4) As novas tecnologias permitem o aparecimento de novas formas de expressão criativa e cultural, potenciadas pelas possibilidades tecnológicas que permitem uma rápida edição, difusão e permuta de conteúdos, assentes numa cultura colaborativa e participativa.

5) O surgimento de novos processos de aprendizagem, assentes em processos de educação não-formal, muito para lá dos muros da escola.

6) A incompreensão e receio dos adultos face a essa nova realidade.

Até já.

Pedro coelho do Amaral

Actividade 2 - Identidade Social na Adolescência


Objectivo:
Identificar as características e discutir o processo de construção de identidade na adolescência.

Competências:
Analisar o processo de construção da identidade durante o período da adolescência.

O que fazer?

1º) Leitura individual e elaboração de uma síntese dos textos disponibilizados, até ao dia 05 de Abril;
2º) Discussão dos textos trabalhados no Fórum 2, moderado pelo Professor, entre os dias 06 e 17 de Abril.

Recursos de Aprendizagem:

Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.

Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.

Recurso Complementar

A construção da identidade em adolescentes: Um estudo exploratório. In Estudos de Psicologia, 8 (1), 107-115.


É na adolescência que começamos a percepcionar o eu e os outros de modo diferente. O egocentrismo pueril que constituía toda a realidade da criança, é abalado pelo confronto com uma realidade distinta, mais crua e nem sempre mais agradável, vivida e vista através dos olhos do agora adolescente: o ser-se igual ao outro e com o outro, num determinado contexto. Num fenómeno semelhante ao "trincar da maçã" de Eva, apercebemo-nos de quem fomos, do que somos e no que nos vamos tornar. Esse processo, turbulento, surge associado à puberdade e às transformações físicas e hormonais que lhe são inerentes, e que podem ser geradoras de crises e desequilíbrios emocionais e, consequentemente, sociais.

Para alguns jovens (e menos jovens), problemas de simples resolução ou questões existenciais de resposta óbvia, podem assumir uma dimensão que torna bastante embaraçosa a sua partilha com os amigos, ou até mesmo com a própria família: cada um tem a sua própria forma de sentir e de reagir aos problemas, e estes assumem as proporções que nós ou a crítica lhes atribui.

Assim, os blogs e as redes sociais apresentam-se como uma extensão da realidade. Permitem que se exprimam ideias e opiniões sem a obrigatoriedade de uma exposição física, e sem se estar sujeito aos mecanismos naturais de censura social implícitos numa comunicação presencial.

A escola só irá desempenhar um papel fundamental no acompanhamento dos adolescentes quando o seu devido valor for reconhecido pelos mesmos, e quando as aprendizagens e matérias abordadas lhes forem significativas.

De acordo com Huffaker e Calvert, os blogs assumem-se como formas alternativas de interacção e comunicação; funcionam como uma extensão do mundo real e podem ser úteis na compreensão dos adolescentes, permitindo o acesso a um universo que, na maioria das vezes, está fechado aos adultos.

Segundo Schmitt et al, uma parte significativa dos jovens (88%) que criaram páginas pessoais ou blogs sentiram-se orgulhosos do seu trabalho, e 80% sentiram que essas páginas ajudaram os outros a compreender quem eles são. No campo da partilha, cerca de metade (54%) afirmam que é mais fácil partilhar as experiências/vivências pessoais nas suas páginas pessoais do que cara a cara.

Das participações nos fóruns, destaco, pela referência a bibliografia alternativa e contextualizada, a participação da colega Sandra Sousa:

#1
Re: Sintese dos recursos de aprendizagem disponibilizados
por Sandra Sousa - Segunda, 13 Abril 2009, 11:54

Durante a minha pesquisa sobre o tema encontrei alguns estudos/ trabalhos interessantes de onde retirei algumas informações complementares:

WEBLOGS E IDENTIDADE: O “EU” MUTANTE (Raquel da Cunha Recuero)

"O weblog, portanto, funciona também como a representação da identidade de seu autor, uma “janela” para que os outros possam conhecê-lo e com ele interagir, um espaço onde o indivíduo pode expressar sua personalidade e seus pontos de vista. O layout do blog normalmente apresenta características coerentes com a personalidade de seu autor, através de cores, elementos e imagens, assim como os comentários expressam suas opiniões. O layout e o conteúdo do blog podem contribuir ainda para melhorar a imagem de uma pessoa que não conhecemos pessoalmente ou suplementar a impressão obtida no face-a-face. (Doring, 2002 – em Recuero, 2003).
Tendo como característica a atualização frequente, permite que o autor possa também reconfigurar sua “identidade” a partir da sua necessidade e vontade. Assim como o blog é mutante, a identidade do indivíduo também o é (RECUERO, 2003:9).
O ciberespaço é apresentado também como o local da simulação, da troca de idéias e da construção de personagens de mim mesmo (Turkle, 1998 – em Recuero, 2003). Dessa forma, os indivíduos podem inclusive se apresentarem com diferentes personalidades em cada “janela”, personalidades condizentes ou totalmente discrepantes com seu novo “eu”.
O não compromisso com a atualidade, ou com a realidade, como afirma Julio Pinto (XXXX) caracteriza a migração conceitual ou um enevoamento das fronteiras entre o real e o virtual, típicas do ciberespaço. Dessa forma, para os participantes, talvez pouco importe se a figura do autor é uma representação de sua realidade. A representação é substituída pela apresentação, surge um outro tipo de mimese que deixa de representar para mostrar. O signo vem antes do objeto ou mesmo pode existir sem o objeto. Privilegia-se o fato de que o signo está presente no mesmo espaço em que eu estou presente. Nesse sentido, a realidade poderia ser definida a partir do conceito de Pierce (em Pinto, xxxx): “o real é aquilo em que qualquer homem acreditaria e sobre o qual esteja pronto a agir…”
O blog oferece a seu autor um espaço demarcado no ciberespaço. Ali ele está presente para apresentar a si mesmo, emitir suas opiniões, receber seus “vizinhos”, criar e desenvolver relacionamentos. "
Gênero, cibercultura e novas tecnologias de comunicação digital: reforçando ou desconstruindo preconceitos? (Maria Aparecida Padilha Ribeiro)
"O meio eletrônico torna-se um espaço central não só para comunicação e difusão da informação, mas também para a construção das identidades sociais. A experiência vivida no presencial é fundamental, porém há uma crescente substituição dessas pelas experiências mediadas pelos discursos da mídia (Thompson, 1998), o que provoca grande influência na construção da vida social.
Os discursos relacionados à sexualidade estão em constante circulação na sociedade: matérias jornalísticas, livros juvenis, filmes, outdoors, campanhas de prevenção, etc. Conforme evidenciado em trabalhos como o de David Huffaker (2004), os jovens mostram sua intimidade nos espaços virtuais, especificamente, nos blogs, onde expõem seus dilemas e desejos, trazem questões referentes ao corpo e à sexualidade. Essas questões aparecem com freqüência porque esse espaço permite a liberdade de expressão que não é oferecida por outras instituições. Os temas relacionados à sexualidade ainda hoje são tabus para a família e para a escola.
Construídos sobre a tecnologia da palavra escrita, nos blogs, o autor ou a autora vai construindo sua identidade de autor/a e leitor/a, através da apropriação das palavras e dos textos (verbais e não-verbais) , pois: “ O texto implica significações que cada leitor constrói a partir de seus próprios códigos de leitura, quando ele recebe ou se apropria desse texto de forma determinada.” (Chartier, 1999, p. 52). O papel do autor, de acordo com Foucault (1992), remete a uma das possíveis figurações do EU. Cada indivíduo torna-se autor da própria fala, o que delineia traços da identidade. "

A Criação de Identidades Virtuais através das Linguagens Digitais (Arthur Meucci)

"Com a internet, os processos de construção identitária vêm ganhando uma nova forma. A rede possibilita, a um número maior de pessoas, a oportunidade de se relatar. Garante maior liberdade de mostrar ou construir a própria identidade. Dispor de um lugar no ciberespaço. No universo digital não há a relação física com as pessoas que encontramos. Para que haja mútuo conhecimento e uma troca de relações é necessário que as pessoas construam identidades virtuais"

A outra intervenção que referencio foi realizada por mim, em resposta aos resultados de um pertinente estudo enunciado pelo colega Pedro Amaral sobre os “incontáveis mitos acerca do tempo que os jovens passam em actividades on-line".

#2
Re: O processo de construção da identidade e os blogues

por Octávio Inácio - Terça, 14 Abril 2009, 01:28

Boa noite a todos

Logicamente, nem tudo é mau nas redes sociais!

No entanto, considero que o problema reside n"o tempo gasto on-line". Mecanizar entradas num fórum ou num chat, passar 3 ou 4 horas a assitir a vídeos no youtube ou a ver fotografias na internet, por si não desenvolvem grandes competências técnicas para a era digital. É certo que desenvolvem técnicas de escrita abreviada, de edição etc.. Mas de que servirá saber colocar um vídeo na internet se não se sabe o que filmar?

Quanto aos "incontáveis mitos acerca do tempo que os jovens passam em actividades online – que é perigoso ou torna-os preguiçosos": para além dos dois casos que conheço, e que deixaram marcas (físicas e psíquicas) irreversíveis em duas pessoas que optaram por uma existência "virtual" , ficam aqui alguns links para pensar no assunto:

Facebook causa descida de notas
Amigos virtuais podem atrapalhar relações reais

Até breve

Octávio

Cultura Digital - Terminologia


Este trabalho teve como finalidade a construção de um glossário que definisse conceitos e termos associados à cultura digital.

Foi-nos disponibilizada uma listagem de termos, de onde seleccionamos os que seriam alvo de pesquisa.Os termos sobre os quais incidiram a minha pesquisa foram:

Mobilie Technology

Tecnologia que permite a sua utilização durante a movimentação do utilizador. Possibilita o acesso e transferência de dados/informação em qualquer lugar a qualquer momento através de diversos dispositivos (Telemóveis, SmartPhones, Computadores portáteis, etc.) e tecnologias (Wireless, Wi-Fi,Bluetooth, GSM, CDMA).

MySpace
O MySpace (MySpace.com) é um site de interacção social composto por perfis pessoais de utilizador (que inclui redes de amigos, grupos, blogs, fotos, vídeos e música), uma rede interna de mensagens que permite aos utilizadores comunicarem uns com outros e um motor de pesquisa interna.
Com uma rede de mais de duzentos milhões de utilizadores e a uma taxa de crescimento de cerca de 230.000 utilizadores diários, de acordo com o Alexa web (site dedicado à medida tráfego Internet) o MySpace é o sétimo site mais visitado em toda a rede e o quarto mais visitado na rede de língua inglesa. Nos Estados Unidos, o MySpace é o site mais visitado a seguir ao Yahoo!, MSN, Google e YouTube.

Online Politicking
Utilização de sites de interacção social como o MySpace e o Facebook em conjunto com whitemail, SMS e telemóveis para campanha, informação, localização e mobilização de eleitorado político.

Estes termos foram escolhidos aleatoriamente. Contudo, apesar da casualidade, houve a possibilidade de actualizar e ampliar os meus conhecimentos, dado que, até à data desta pesquisa, desconhecia o termo Online Politicking.
Considero que esta actividade foi de extrema importância, uma vez que nos conduziu a um processo de pesquisa e selecção de informação sobre uma terminologia que, dados os avanços sociais e tecnológicos, se encontra em constante mutação.

Actividade 1 - Nativos Digitais Vs Imigrantes Digitais




Objectivo:
Identificar e discutir as características atribuídas ao estudante digital.

Competências:
Definir o perfil do estudante digital.

O que fazer?
1º) Constituição livre dos grupos de trabalho (4 grupos com 4 elementos; 1 grupo com 5);
2º) Leitura e análise dos textos disponibilizados;
3º) Elaboração do perfil do estudante digital, num documento de Powerpoint;
4º) Apresentação do trabalho no Fórum 1 até ao dia 18 de Março;
5º) Discussão no Fórum dos trabalhos apresentados entre os dias 19 e 25 de Março.



Na perspectiva de Prensky, um nativo digital é um indivíduo que, tal como o nome indica, nasceu na era digital: na época das Webs (1.0, 2.0 e 3.0), da linguagem dos computadores, dos jogos de vídeo, do mp3 e do telemóvel. Um imigrante digital será aquele que, não tendo nascido na era digital, mais tarde se fascinou pelas novas tecnologias e tenta adaptar-se às exigências das mesmas.

Os jovens nativos digitais, em virtude do contexto tecnológico em que vivem, têm comportamentos e atitudes características que os diferenciam dos jovens das gerações anteriores. Das inúmeras caracteríscticas apontadas aos nativos digitais, destaco as seguintes:
  • Comunicam essencialmente através de SMS, MMS, chat e e-mail. Nas suas comunicações incluem emoticons e abreviaturas, reduzindo o tempo de escrita e criando novos códigos de comunicação;
  • Adoptam comportamentos em função do contexto de utilização (chat, e-mail, etc.);
  • São interactivos quer com a máquina quer com a rede global;
  • São selectivos na aprendizagem - dão primazia ao que lhes é mais significante;
  • Socializam e são socializados numa atitude de partilha e envolvência.
Perante este cenário, podemos afirmar que o paradigma de aluno para o qual a escola foi projectada está a mudar. Compete-nos, enquanto educadores, renovar o sistema de ensino para poder dar resposta esta nova realidade.

Este complicado processo terá que passar pela revisão/actualização dos recursos, estratégias e metodologias a utilizar, reconhecendo as necessidades destes alunos e integrando, nas situações de aprendizagem, as tecnologias que utilizam diariamente. Temos que saber despertar o interesse pelo saber nos nossos alunos, e tentar compreender melhor o seu mundo.

Estudante_Digital

Outro ponto merecedor de destaque foi a discussão sobre quem estará mais preparado para o futuro: o nativo ou o imigrante digital?
Relativamente a esta questão, mantenho a mesma opinião que tinha no dia 24 Março 2009:

"Penso que aqueles que melhor interpretarem a informação e dominarem o conhecimento serão sem dúvida os que terão mais hipóteses de sucesso.
Não sei se serão nativos ou emigrantes. Contudo, se os nativos falharem no futuro teremos que assumir, enquanto pais e educadores (emigrantes ou não), a nossa quota de responsabilidade no falhanço."

Das várias comunicações realizadas, destaco as seguintes:

#1
Re: Trabalho Final- Grupo Verde
por Paulo Azevedo - Sexta, 20 Março 2009, 18:41

Caros colegas e professoras,

considero que todos os trabalhos apresentaram um "perfil do estudante digital" baseado nas características propostas por Prensky. Todos foram eficazes nessa abordagem, indo ao encontro da proposta inicial. Aproveito as palavras do Pedro, que duvidou, baseando-se no contacto com os alunos, sobre essa caracterização aparentemente fechada de dois tipos de utilizadores dos recursos digitais: Nativos e Imigrantes Digitais.

No debate que se tem feito sobre este tema, Bennett, Maton e Kervin (2008), em The ‘digital natives’ debate: A critical review of the evidence, colocam também a dúvida sobre algumas características dos Nativos Digitais apontadas por Prensky. Eles referem que investigações realizadas com alunos (da era digital) de instituições de educação dos Estados Unidos, de facto, utilizam computador pessoal, Internet, telemóvel ou outros recursos tecnológicos, em grande percentagem, mas apenas uma pequena percentagem de alunos cria conteúdos multimédia, domina linguagem de programação, mantém blogues ou sites, tem computador portátil, entre outros recursos. Além disso, alertam para o facto de, ao centrarmos o estudo num grupo muito reduzido de alunos, podermos estar a negligenciar uma geração que na sua grande maioria não se enquadra perfeitamente na categoria de Nativo Digital.

No entanto, compreendendo a preocupação de Prensky ao estabelecer um conjunto de domínios em que os "Nativos Digitais" estão a abrir novos caminhos, gostaria de responder às questões levantadas pela professora Maria João Silva quanto às implicações das "preferências de aprendizagem" do estudante digital. Segundo Prensky, os Nativos Digitais aprendem com maior facilidade tudo o que os motiva particularmente e isso não inclui, na maior parte dos casos, os conteúdos dados na escola. Por um lado, deve colocar-se à escola a responsabilidade de "saber" motivar os alunos para a aprendizagem de conteúdos considerados essenciais para a sua formação. Por outro lado, ao considerar-se as preferências dos alunos, temos de estar atentos aos inúmeros factores externos a que os alunos estão sujeitos (como a publicidade) e procurar que estes desenvolvam um sentido crítico em relação à utilidade ou à natureza dessas influências.


Relativamente à segunda questão, creio que no domínio das tecnologias e da exploração das suas potencialidades o estudante digital (de Prensky) tem mais probabilidade de sucesso que o imigrante digital. Mas, se as tecnologias permitiram aproximar pessoas que estão a milhares de quilómetros de distância, falta no texto de Prensky a caracterização do Nativo Digital (ou do Imigrante Digital) quanto à sua capacidade de se relacionar com as pessoas que lhe estão fisicamente próximas. E para mim, Imigrante Digital, o futuro ainda passa por aí.


[] Paulo Azevedo


A razão da escolha deste comentário tem essencialmente a ver com o confronto entre a perspectiva de Prensky e as opiniões de vários colegas.
Relativamente ao estudo de Bennet e Maton, o conhecimento dos seus resultados permitiu uma perspectiva diferente da "geração nativo digital", provavelmente mais aproximada da realidade portuguesa.

#2
Re: Trabalho Final- Grupo Verde
por João Carrega - Segunda, 23 Março 2009, 13:50

Sendo a nova forma de aprender do estudante digital centrada nos "seus critérios e apenas sobre os seus interesses", (tal como foram referindo), que implicações terá esta característica na educação dos mesmos?

A um primeiro nível parece-me que é importante reter a ideia de que educar para a sociedade do conhecimento, requer que os docentes, de uma forma genérica, compreendam a vantagem do desenvolvimento nos alunos de competências que visem a utilização da tecnologias de informação e de comunicação, num quadro que respeite os estilos individuais de aprendizagem e os novos espaços de construção do conhecimento e do saber.

Como explica o investigador João Ruivo, num outro artigo publicado na imprensa (Ensino Magazine, 2007) "para que isso seja feito importa ter em atenção a utilização de metodologias pedagógicas mais plásticas. Metodologias que redimensionem o papel do professor, que o tornem mais mediatizado, e que incluam as TIC como ferramentas mediadoras da aprendizagem".

Na minha perspectiva, e embora não sendo professor, a sua utilização na sala de aula poderá promover o desenvolvimento de competências, expectativas e interesses fundamentais à integração e sobrevivência do aluno na sociedade digital.

Todo este processo, ainda em construção, exige dos docentes um esforço suplementar. Exige-lhes novas funções. Poderia mesmo arriscar a ideia de que a utilização das TIC, centradas na aprendizagem, pode levar o professor a ser mais um professor tutor.
Toda esta evolução implica esforço, mas não deve significar «facilitismos» na aprendizagem. As novas tecnologias devem, isso sim, ser um elemento mediador no processo de aprendizagem.

Outra questão importante diz respeito ao parque escolar e saber até que ponto ele está preparado para a era digital.

Num outro patamar surge a necessidade de se melhorar a formação dos docentes nesta área.

Até já,

JC

A pertinência deste comentário reside no percurso que sugere face à nova forma de aprender do estudante digital.
Apresenta-nos uma escola em contínua adaptação, física e humana, sendo apresentada como componente essencial para a resolução da problemática, a formação dos professores.
Trata-se da opinião de alguém que refere não ser professor – por vezes é necessário haver distanciamento para que haja discernimento.